sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Complexos metálicos e suas aplicações em medicina

 por F. R. G. Bergamini & R. E. F. Paiva
1.1. Aspectos gerais

Complexos  metálicos  têm  sido  utilizados  em  medicina,  no  mundo  todo,  tanto  no diagnóstico  quanto  no  tratamento  de  várias  doenças. [ 1 ]   A  diversidade  de  compostos inorgânicos e suas aplicações medicinais abrangem, por exemplo, o tratamento do câncer e da artrite,  agentes  antimicrobianos  e  inibidores  enzimáticos.  O  conhecimento  e  a  compreensão dos mecanismos de ação farmacológica destes compostos são de fundamental importância no desenvolvimento de novos medicamentos mais eficientes e seguros ao organismo humano. A Química  Inorgânica  Medicinal,  a  qual  pode  ser  definida  como  uma  ciência  multidisciplinar que relaciona a Química Inorgânica, a Bioquímica e a Medicina, trata do desenvolvimento e da aplicação de complexos metálicos no tratamento de inúmeras enfermidades.
Atualmente, são utilizados complexos de ouro no tratamento de artrite, com destaque para  a  auranofina [2] ,  complexos  de  prata  no  tratamento  de  infecções  antibacterianas [1] ,  com destaque  para  a  sulfadiazina  de  prata,  e  complexos  contendo  platina,  como  a  cisplatina,  no tratamento  do  câncer [3] .Além  disso,  novos  complexos  metálicos  de  paládio(II),  rutênio(II) e ouro(I)  têm  sido  pesquisados  e  descritos  como  potenciais  agentes  antitumorais.   [4]   Outras aplicações incluem complexos de tecnécio e gadolínio como agentes de contraste, compostos de  vanádio  para  o  tratamento  do  diabetes,  complexos  de  ferro  como  anti-hipertensivos [1]   e complexos  à  base  de  lítio  em  psiquiatria  com  destaque  para  o  tratamento  de  distúrbios maníaco-depressivos. [ 5]
 
1.2. Complexos metálicos e suas aplicações em medicina
O  uso  de  metais  e  seus  compostos  com  fins  terapêuticos  vêm  desde  a  antiguidade. Muito  provavelmente,  os  experimentos  com  estes  elementos  foram  inicialmente  realizados baseando-se  no  conhecimento  de  suas  propriedades  tóxicas  e  nas  suas  capacidades  de supressão de determinados processos biológicos.  [6]
Há aproximadamente 5000 anos, árabes e chineses usavam zinco para promover a cura de ferimentos enquanto que os egípcios, por sua vez, utilizavam cobre para esterilizar água.
Na  era  do  renascimento,  os  europeus  utilizavam  cloreto  de  mercúrio  como  diurético  e descobriram  o  valor  nutricional  do  ferro.  [1]   Outros  exemplos  foram  a  utilização  de formulações contendo ouro(I) como revigorantes e para o tratamento de tuberculose, seguido do uso de compostos de antimônio para leishmaniose e o uso de nitrato de prata sólido ou em solução no tratamento de queimaduras e abscessos  [1,7] .
Atualmente,  um  número  crescente  de  compostos  inorgânicos  tem  sido  avaliado  com relação aos seus efeitos farmacológicos na esperança de se encontrar a cura para um grande número de doenças.  [6]

1.3. Complexos metálicos como antitumorais

O  câncer  está  entre  as  doenças  de  maior  incidência  e  com  maior  dificuldade  de tratamento,  freqüentemente  causando  nos  pacientes  uma  queda  na  qualidade  de  vida  e  alta letalidade. [2,8]
Apesar  dos  recentes  avanços  no sentido  de  se  aperfeiçoar  a  terapia antineoplásica, a quantidade   de   fármacos   efetivos   disponíveis   é   limitada,   havendo   uma   necessidade considerável de se desenvolver novos medicamentos e alternativas de tratamento.  [2]
A  atividade   antineoplásica   da  cisplatina,  o  primeiro  complexo   metálico  a   ser comercializado  como  agente  antitumoral,  foi  descoberta  por  Rosenberg, [9]   em  1965,  ao  se estudar  o  efeito  do  campo  elétrico  no  crescimento  de  bactérias  utilizando  um  eletrodo  de platina.  Rosenberg  notou  que,  ao  se  aplicar  o  campo  elétrico  na  câmara  de  crescimento,  a divisão  celular  das  bactérias  era  inibida,  fazendo  com  que  elas  formassem  filamentos alongados. Demonstrou-se que este efeito foi causado pelo produto gerado a partir da platina do  eletrodo  e  dos  reagentes  (íons  NH4+   e  Cl - )  presentes  no  meio  reacional.  O  produto  foi identificado   como   o   cis-diaminodicloroplatina(II),   ou   simplesmente,   cisplatina.  [2,3]
Atualmente, a cisplatina é utilizada para o tratamento de vários tipos de câncer, como os de ovário, pulmão, testículos, cabeça, pescoço e bexiga  [6,8] , apresentando em alguns casos, uma porcentagem de cura de mais de 95%.  [1,10]
Entretanto,    devido    aos    efeitos    adversos    (nefrotoxicidade,    neurotoxicidade, ototoxicidade  e  a  toxicidade  gastrointestinal),  como  também  à  resistência  adquirida,  há limitações no uso de tal composto  [8] , o que levou à síntese de novos complexos de platina e outros metais. A carboplatina, ou cis-ciclobutanodicarboxilatodiaminoplatina(II), por exemplo, teve a sua aprovação clínica pelo FDA em 1989 no tratamento do câncer de ovário e, em 1991, para  a  primeira  linhagem  de  câncer  de  ovário  [3] .  A  oxaliplatina,  por  sua  vez,  teve  sua aprovação clínica em 2004 para o tratamento do câncer colo retal em conjunto com 5-fluoracil e leucovirin.  [3]
Dentre  os  demais  metais,  os  compostos  contendo  ouro  têm  recebido  grande  atenção por  serem  capazes  de  interromper  o  crescimento  de  células  tumorais,  possivelmente  pela inibição da enzima tiorredoxina redutase (TrxR), essencial ao mecanismo de  proliferação das 8 células  cancerosas.  [2]   Os  complexos  de  paládio,  devido  à  similaridade  estrutural  com  os complexos   de   platina,   também   se   apresentam   como   agentes   tumorais   de   grande potencialidade, por possuírem, em certos casos, atividades in vitro semelhantes ou superiores à cisplatina.  [8]

1.4. Complexos metálicos como antiinflamatórios
Artrite  reumatóide  é  uma  doença  crônica,  auto-imune  e  dolorosa,  causadora  de inflamações  e  de  destruição  progressiva  das  articulações.  A  causa  da  doença  ainda  é desconhecida, e sua estratégia de tratamento centraliza-se, principalmente, na diminuição dos sintomas e na prevenção dos processos progressivos e destrutivos da doença.
A terapia clínica usa agentes antiinflamatórios, analgésicos e fármacos anti-reumáticos modificadores  da  doença  (DMARDs;  Disease  Modifying  Antirheumatic  Drugs)  sendo  que estes últimos são usados para impedir, desacelerar a progressão ou reduzir os danos ósseos e de cartilagem. [11,12]
Complexos de ouro com ligantes fosfínicos, sulfurados ou nitrogenados estão entre os compostos caracterizados como DMARDs. Estudos sugerem que estes compostos atuem pela inibição  da  enzima  TrxR  [13] ,  uma  proteína  homodimérica,  pertencente  à  família  da  enzima glutationa  redutase,  que  catalisa  a  redução  de  muitos  constituintes  oxidados  da  célula.  Esta enzima  apresenta  uma  ampla  especificidade,  e  está  envolvida  em  inúmeros  caminhos metabólicos (por exemplo, a cadeia antioxidativa e a síntese de nucleotídeos) e em condições patológicas (tumores, infecções, artrite reumatóide e outros).  [14]

1.5. Complexos metálicos como agentes antibacterianos

De  acordo  com  a  Organização  Mundial  de  Saúde  (OMS),  doenças  infecciosas  e parasitárias são responsáveis pela maioria dos casos de enfermidades no mundo.  [15]  A multi-resistência bacteriana aos antibióticos fez com que o nitrato de prata (AgNO3) voltasse a ser utilizado no tratamento de queimaduras e abscessos. Por conta de sua ação antibacteriana, o interesse em complexos de prata aumentou muito nos últimos anos.  [16]
Entretanto, o uso do nitrato de prata apresenta algumas desvantagens: queda acentuada na concentração dos íons sódio e cloreto no sangue, assim como a presença elevada de prata nos rins, fígado e músculos do paciente, evidenciados por exame pós-morte ou necroscópico.
Estas observações impulsionaram o desenvolvimento de novos compostos de prata, com ação antimicrobiana,  buscando-se  uma  liberação  lenta  e  controlada  dos  íons  Ag(I)  para  o organismo, de forma diferente daquela do nitrato de prata. [6]
Ao sofrer uma queimadura, uma série de alterações orgânicas ocorre na pele, afetando seu mecanismo de defesa contra infecções. A perda da integridade da pele e o desequilíbrio na regulação do pH cutâneo facilitam a colonização da ferida por microrganismos oportunistas. A sulfadiazina  de  prata  a  1%  ainda  é  amplamente  utilizada  no  tratamento  de  queimaduras  de segundo e terceiro graus, sendo eficiente na liberação controlada de íons Ag(I). [17]  É efetiva contra  vários  microrganismos,  particularmente  bactérias  gram-negativas  como  Escherichia coli, Enterobacter, Klebisiela sp, Pseudomonas aeruginosa, mas também atua sobre algumas gram-positivas como Staphylococcus aureus. [6]  Além de complexos de Ag(I), outros metais também formam complexos com atividade antimicrobiana, dentre eles o ouro  [1] , paládio  [18-20] e rutênio  [21] . 
No  caso  específico  da  Doença  de  Chagas,  o  Trypanossama  cruzy,  protozoário causador  da  doença, tem sua bioquímica  bem  descrita, mas a  infecção não tem uma  terapia efetiva  desenvolvida.  [ 22 , 23 ]   Pesquisas  de  controle  farmacológico  da  doença  levaram  à preparação de novos complexos de platina, rutênio, ouro e paládio, utilizando-se ligantes com atividade antitripanossomal. Esses ligantes têm grupos carbazonas que possuem centros ativos de nitrogênio ou tiocarbazonas contendo enxofre e nitrogênio.  [24,25]
A malária, por sua vez, foi tratada com sucesso por fármacos como a cloroquina e seus derivados (por exemplo a amodiaquina e a mefloquina), alternativas seguras, de baixo custo e eficazes.  Porém  a  elevada  utilização  destes  medicamentos  gerou  resistência  na  maior  parte dos infectados. Hoje, a cloroquina é associada à artemisina e seus derivados, promovendo um tratamento eficaz que ainda não apresenta resistência. Estudos utilizando complexos metálicos de cloroquina demonstraram atividade biológica sobre linhagens de Plasmodium falciparumresistentes.  [25,26]
Os  diversos  estudos  demonstram  a  potencialidade  na  utilização  de  complexos metálicos com ligantes de conhecida atividade antimicrobiana no tratamento de infecções, e como alternativa frente à resistência gerada pelos compostos atuais no mercado em relação a vários microrganismos.

1.6. Os íons Pd(II), Pt(II) e Ag(I): aplicações em medicina
A  similaridade  entre  os  íons  de  platina  e  paládio  fez com  que  os  pesquisadores  que atuam na área considerassem a possibilidade da aplicação de compostos de Pd(II) como uma alternativa para o desenvolvimento de novas fármacos antineoplásicos similares à cisplatina [27] . 
Complexos de Pd(II), assim como observado em seus análogos de Pt(II), apresentam geometria  quadrado-planar  e  formam  ligações  estáveis  com  ligantes  contendo  enxofre  e nitrogênio.  Contudo,  complexos  de  Pt(II)  são  termodinamicamente  mais  estáveis  que  seus análogos  de  Pd(II).  Este é  um  aspecto  importante  a  ser  considerado  quando  se  lida  com  os complexos de Pd(II), uma vez que sua elevada labilidade pode reduzir sua biodisponibilidade no sítio de ação no organismo, geralmente, o núcleo celular  [28] .
Ligantes heterocíclicos contendo enxofre e nitrogênio são de grande interesse devido à habilidade de se coordenarem com ácidos moles como os íons Pt(II) e Pd(II), formando anéis quelatos  S,N-coordenados,  e  também  devido  à  capacidade  de  mimetizar  a  coordenação  da cisteína a íons metálicos em metaloenzimas.  [29 -31]
Vários  complexos  de  Pd(II)  com  ligantes  contendo  enxofre  e  nitrogênio  e  que apresentam atividades antitumorais e antibacterianas in vitro foram recentemente reportados na  literatura.  Mantesanz  e  col.  [32]   relataram  complexos  de  Pd(II)  com  α -difeniletanodiona bis(tiosemicarbazona) e  α -difeniletanodiona bis(4-etiltiosemicarbazona) o qual apresentaram atividade  antitumoral  contra  células  resistentes  à  cisplatina.  Também,  estudos  de  síntese, caracterização e testes biológicos de complexos de Pd(II) e Pt(II) com S-alil-L-cisteína foram recentemente descritos na literatura por nosso grupo de pesquisas  [33-35] . Em ambos os casos, a coordenação do ligante ao centro metálico ocorreu através dos átomos de nitrogênio e enxofre, formando  quelatos  de  cinco  membros.  O  complexo  de  Pd(II)  se  mostrou  o  mais  eficiente, sendo  capaz  de  inibir  a proliferação  in vitro  de  células  HeLa  derivadas  do  adenocarcinoma humano  além  de  apresentar  atividade  antibacteriana  contra  linhagens  de  Staphylococcus aureus (Gram-positiva) e Escherichia coli (Gram-negativa). 
Mais  recentemente,  um  complexo  dimérico  de  Pt(II)  com  sulfóxido  de  metionina,  o qual apresenta coordenação N,S também foi descrito pela literatura.  [36]  Estudos preliminares mostraram  a  atividade  deste  complexo  contra  cepas  de  P.  aeruginosa,  uma  bactéria patogênica bem conhecida.
Conforme  citado anteriormente, a aplicação  da  prata  como  agente  antimicrobiano  se iniciou  com  o  uso  do  nitrato  de  prata  no  tratamento  de  queimadura  e  feridas.  Os  primeiros relatos conhecidos do uso do nitrato de prata provêm dos navegadores do final da idade média.
Naquela época, o nitrato de prata era utilizado tanto sólido como em solução para “limpar e secar feridas”. Hoje, sabe-se que a ação dos íons Ag(I) era a responsável pela eliminação de células  bacterianas  nos  ferimentos,  levando  à  cicatrização  das  lesões.  Entretanto,  mais recentemente,  observou-se  que  seu  uso  apresentava  alguns  inconvenientes,  como  a  rápida depleção  da  concentração  de  íons  cloreto  no  sangue  do  paciente.  Vários  mecanismos  são sugeridos para explicar a ação antimicrobiana desempenhada pelos íons Ag(I). Tais íons são capazes de inibir a síntese protéica.  [37,38]  Além disso, são capazes de atuar como inibidores de síntese  de  DNA  e  RNA,  prevenindo  a  replicação  do  DNA,  provocando  sua  condensação  e subseqüente morte bacteriana.  [38]
Todos  os  inconvenientes  relacionados  ao  uso  direto  do  nitrato  de  prata  puderam  ser contornados  com  a  utilização  da  sulfadiazina  de  prata,  um  composto  extremamente  efetivo contra infecções, aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) em 1973. A partir de sua  aprovação,  rapidamente  se  tornou  a  fármaco  de  escolha  no  tratamento  de  queimaduras, por conta de seu largo espectro de ação antimicrobiana, e também por resultar numa aplicação indolor.
Sua  atividade  antimicrobiana  é  mediada  pela  ação  na  membrana  e  parede  celular microbiana, promovendo o enfraquecimento destas, com conseqüente rompimento da célula.
Por ser relativamente insolúvel, a sulfadiazina de prata reage lentamente com o cloreto e com os  componentes  protéicos  dos  tecidos,  formando  cloreto  de  prata,  complexos  protéicos  de prata e sulfadiazina de sódio.  [17]  O mecanismo de liberação dos íons Ag(I) é lento e complexo, mas   exerce   efeito   bacteriostático.   Esta   liberação   lenta   da   prata   minimiza   distúrbios eletrolíticos no sangue do paciente.  [39- 43]  A estrutura da sulfadiazina de prata é apresentada na Figura 1 a seguir.

Nosso grupo de pesquisas recentemente reportou a síntese, a caracterização e os testes biológicos  iniciais  de  um  novo  complexo  de  prata  contendo  o  ligante  N-acetil-L-cisteína (NAC). [44]  O complexo Ag-NAC apresentou expressiva atividade antibacteriana contra cepas de  S.  aureus  (Gram-positiva),  E.  coli  e  P.  aeruginosa  (Gram-negativa),  diferentemente  do ligante  livre  o qual não apresentou  nenhuma  capacidade bactericida e/ou bacteriostática  nas concentrações  testadas.  Tais  resultados  comprovam  a  potencialidade  do  uso  de  novas formulações contendo prata no tratamento de infecções bacterianas.

2. Agradecimentos
Agradecemos ao professor Dr. P. P. Corbi pela gentil correção deste texto, o qual faz parte de um trabalho submetido no final do ano de 2010 para o IV Prêmio CRQ de Iniciação Científica.

3. Referências Bibliográficas

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Click Chemistry

 por F. R .G. Bergamini

Na  natureza,  a  maior  parte  das  moléculas  presentes  nos  seres  vivos,  seja  apresentando  função  estrutural  e/ou função  metabólica,  apresentam  ligações  entre  um  heteroátomo  e  carbono,  em  caráter  preferencial  às  ligações carbono-carbono. Pode-se, dentre elas, ressaltar os aminoácidos, os ácidos nucléicos e os monossacarídeos, os quais são caracterizados como subunidades, ou blocos de montagem que, em reações quase sempre em meio aquoso, são unidas  via  ligações  carbono-heteroátomo,  dando  origem,  respectivamente,  às  proteínas,  ao  DNA  (ou  RNA)  e  aos carboidratos.[1]
Foi baseado nesta abordagem reacional que em 2001, munido de resultados decorrentes do desenvolvimento de compostos  os  quais  poderiam  ser  utilizados  como  “blocos  de  montagem”  para  a  formação  de moléculas  mais complexas,  Sharpless  e  colaboradores [1] cunharam  um  novo  conceito  ou  proposição  sintética  denominado  “click chemistry”,  cujo  moto  principal  foi  ir  de  encontro  ao  desenvolvimento  de  novos  compostos  baseado  em metodologias de síntese de alto preço, difícil execução e aplicação em larga escala.
Para que um processo ou reação seja denominado como “click chemistry”, entretanto, ele deve obedecer a um conjunto  de  critérios  rigoroso,  tais  quais  sejam  a  possibilidade  de  modulação  da  reação  (isto  é de  controle  da mesma),  deve  apresentar  grande  extensão,  com  rendimentos  muito  altos  além  de  gerar  somente  subprodutos inofensivos   os   quais   possam   ser   removidos   por   técnicas   não-cromatográficas.   A   reação   tem   que   ser estereoespecífica, deve requerer condições simples (idealmente, o processo deve ser insensível a oxigênio e água), com  materiais  iniciais  e  reagentes  altamente  disponíveis  e  com  o  uso  de  nenhum  solvente  ou  de  um  solvente “benigno” ou, ao menos, um solvente que seja facilmente removido. Além destes critérios, o produto deve também ser facilmente isolado. [1]
A questão ambiental envolvida na produção de resíduos não invasivos e de fácil tratamento, e principalmente, o interesse  econômico decorrente do baixo custo na produção do composto ou material desejado, fez com que  esta abordagem,  com  o  tempo,  não  se  restringisse  ao  desenvolvimento  de  novos  compostos  orgânicos  ou  de  novas metodologias de obtenção de compostos orgânicos já conhecidos: as reações “click” alcançaram, como era natural, a química inorgânica, a química de materiais e a nanotecnologia.[2]
Recentemente relatou-se a síntese de nanopartículas de ouro (AuNP) a partir da redução de citrato a quais foram submetidas  a  um  processo  de  troca  de  recobrimento  (baseado  em  citrato)  por  11-azi-doundecano-1-thiol. [3] Esta troca  teve  por  intuito  não  somente  impedir  a  formação  de  agregados  entre  as  AuNPs  em  solventes  orgânicos, necessários em um grande número de reações, mas também de aproveitar a alta área superficial das AuNPs como suporte para reações click entre a azida presente no recobrimento e um substrato.
Del  Castillo  e  colaboradores [4],  por  sua  vez,  relataram  a  primeira  ciclo-adição  entre  uma  azida  metálica (Ph3PAuN3)  e  um  acetilídeo  metálico  (Ph3PAuC≡CPh)  (Figura  1),  a  qual,  de  certa  forma,  pode  ser  considerada como  a  “versão  inorgânica”  de  reação  1,3-dipolar  de  Huisgen*.  O  estabelecimento  desta  nova  possibilidade  de síntese dá azo a especulações e estudos acerca de reações similares contendo metais que não o Au(I) assim como no que se refere à robustez do método em relação às condições de reação. 

Já Heinz e col. 2010 [5], intentando a produção de blocos de montagem para a formação de materiais híbridos, apresentaram  a  preparação  de  clusters  de  metal  oxo  de  titânio  e  zircônio  com  ligantes  carboxilatos  ω-alcino-substituídos,  Ti6O4(OPr)8(OOC(CH2)2C≡CH)8   e  [Zr6O4-(OH)4(OOC(CH2)3C≡  CH)12]2 ,  os  quais  podem  ser utilizados para “click”† reações entre clusters e polímeros, fornecendo novas propriedades a estes últimos.
Nanosistemas constituídos de micelas poliméricas, nanopartículas poliméricas, lipossomas, capsulas poliméricas, nanopartículas metálicas e de sílica, quantum dots‡, nanotubos de carbono, fulerenos e bionanopartículas têm sido extensivamente  estudados  como  sistemas  de  entrega  de  drogas§ ou  como  materiais  de  contraste  de  imagem  e diagnóstico**, dependendo das características intrínsecas ou adquiridas de cada material. Neste contexto, numerosos exemplos  de  reações  “click”  têm  sido  reportados  seja  preparação  como  também  funcionalização  destes  materiais, utilizando, dentre os processos “click”, reações como a ciclo-adição 1,3-dipolar de Huisgen catalizada por Cu(I), o acomplamento tiol-eno, a adição de Michael e a reação de Diels-Alder.[6 - 8]
Outra  aplicação  para  as  reações  “click”  é  a  produção  de  “metal-organic  frameworks”  (MOF),  os  quais  são caracterizados como compostos constituídos de ligantes orgânicos rígidos ligados a íons metálicos, formando uma estrutura  porosa   de   alta  potencialidade   catalítica,  de  estocagem   gasosa  dentre  outras  aplicações.  Goto   e colaboradores [9] relatam  a  síntese  de  um  MOF  a  partir  da  reação  catalisada  por  Cu(I)  entre  Zn(II)  e  um  ligante modificado  com  azida  (Figura  2),  na  presença  diferentes  alcinos.  Esta  aplicabilidade  das  reações  click  não  é  só interessante  devido  às  possíveis  propriedades  que  um  MOF  pode  apresentar  mas,  especialmente,  devido  às condições  geralmente  drásticas  (alta  temperatura  e  pressão)  necessárias  a  produção  de  um  MOF,  o  qual  não  é necessária a partir desta abordagem.

Em  resumo,  pode-se  concluir  que  a  química  click  é  uma  abordagem  que  se  apresenta  em  ampla  expansão. Entretanto,  vale  ressaltar  que  ainda  é  necessário  o  desenvolvimento  de  blocos  de  montagem  e  metodologias reacionais  que  supram  todas  as  necessidades  no  concernente  às  propriedades  desejadas  aos  materiais  (maior durabilidade,  propriedades  mecânicas  e  eletrônicas  diferenciadas,  especificidade  reacional  frente  a  um  substrato, etc.). Neste ínterim, não se deve desconsiderar o desenvolvimento de química que se pode chamar “não-click” desde que, apesar de poder carregar problemas em relação à complexidade ou custo de processo, ela pode se apresentar como uma solução momentânea ou mesmo a melhor solução para certos “problemas químicos” (ou necessidade de propriedades químicas específicas) atuais. 

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* A ciclo-adição 1,3-dipolar de Huisgen se baseia na reação entre uma azida (N=N=N-R) e um alcino (HC≡C-R’), catalizada por Cu(I).
† O termo click assume o significado de “reagir rápida e facilmente”, seguindo os critérios estabelecidos por Kolb e colaboradores.
‡ Quantum dots, ou “pontos quânticos”. Neste texto preferiu-se manter o termo original do inglês por acreditar-se melhor caracterizar as características eletrônicas unidimensionais do material.
§ Micelas poliméricas, nanopartículas poliméricas, lipossomas, capsulas poliméricas, nanopartículas metálicas e de sílica, nanotubos de carbono, fulerenos e bionanopartículas.
** Nanopartículas metálicas magnéticas e quantum dots.

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2. Referências Bibliográficas

[1] H. C. Kolb, M. G. Finn, K. B. Sharpless. Angew. Chem. Int. Ed. 40, 2004 (2001).
[2] W. H. Binder, R. Sachsenhofer. Macromol. Rapid Commun. 28, 15 (2007).
[3] D. Baranov, E. N. Kadnikova. J. Mater. Chem. 21, 6152 (2011).
[4] T. J. Del Castillo, S. Sarkar, K. A. Abboud, A. S. Veige. Dalton Trans. 40, 8140 (2011).
[5] P. Heinz, M. Puchberger, M. Bendova, S. O. Baumann, U. Schubert. Dalton Trans. 39, 7640 (2010).
[6] E. Lallana, A. Sousa-Herves, F. Fernandez-Trillo, R. Riguera, E. Fernandez-Megia. Pharm. Res., DOI 10.1007/s11095-011-0568-5 (2011). 
[7] X. Jiang, J. Liu, L. Xu, R. Zhuo. Macromol. Chem. Phys. 212, 64 (2011).
[8] S. Rana, H. J. Yoo, J. W. Cho, B. C. Chun, J. S. Park. J. Appl. Pol. Sci. 119, 31 (2011).
[9] Y. Goto, H. Sato, S. Shinkai, K. Sada. J. Am. Chem. Soc. 130, 14354 (2008).

Materiais em escala nanométrica


por F. R .G. Bergamini
 
Com o desenvolvimento de métodos cada vez mais eficazes na manipulação e caracterização de moléculas e átomos, durante o século XX e em contínuo desenvolvimento no século XXI, tornou-se possível a construção de dispositivos em escala nanométrica para a utilização em diversos ramos da ciência. [1]
Dentre estes ramos, se pode citar a biologia, com a utilização de nanopartículas (NPs) para a marcação e separação de células in vitro [2]; na medicina, com a utilização de NPs para a entrega gênica e de drogas (TDD – target drug delivery) a um determinado local do organismo[3,4,5], com especificidade muito maior do que as drogas comuns; a utilização de NPs como material de  contraste em ressonância magnética [2,4,5] além de poderem ser utilizadas para testes imunológicos[2];na química, em catálise heterogênea, com a utilização de NP de ferrito de magnésio[6]; em química ambiental, no tratamento de efluentes industriais, com a utilização de biosensores constituídos de nanotubos de carbono e proteínas imobilizadas em sua superfície, para a determinação da concentração de uma substância específica nos dejetos liberados por indústrias[7]; na eletrônica, com a construção de dispositivos cada vez mais eficientes e com resposta elétrica muito maior do que os dispositivos até hoje construídos; na química de materiais, com a produção de materiais mais resistentes ou com atividade específica de acordo com a necessidade[8], dentre outras tantas aplicações estudadas.
Referências:
[1] Morales, M. M. Terapias Avançadas – Células Tronco, Terapia Gênica e Nanotecnologia Aplicada à Saúde, 1.a Ed, Atheneu. (2007), 237-254.
[2]Kim, D. K.; Mikhalova, M.; Zhang, Y.; Muhammed, M. Protective Coating of Superparamagnetic Iron Oxide Nanoparticles. Chem. Mater. (2003), 15, 1617-1627.
[3]Mikhaylova, M.; Berry, C.C.; Kim, D. K.; Jo, Y. S.; Curtis, A. S. G; Muhammed, M. In Vitro Reaction of Human Fibroblasts with Gold – L-Aspartic – Functionalized Superparamagnetic Iron Oxide Nanoparticles. Annals of Transplantation.( 2004), 09(1A),79-81.
[4] Wang, L.; Park, H-Y.; Lim, S. I-I.; Mark, J. S.; Mott, D.; Luo, J.; Wang, X.; Zhong, C-J.; Core@Shell Nanomaterials : gold-coated magnetic oxide nanoparticles. Journal of Materials Chemistry. (2008), 18, 2629-2635.
[5] Santos, F. J.; Varanda, L. C.; Ferracin, L. C.; Jr. Jafelicci, M.; Synthesis and Electrochemical Behavior of Single-Crystal Magnetite Nanoparticles. J. Phys. Chem. C (2008),112,5301-5306.
[6] Junior, A. F.; Alves, T. E. P.; Lima, E. C. O.; Nunes, E. S.; Zapf, V. Enhanced magnetization of nanoparticles of MgxFe(3 −x)O4 (0.5 ≤ x ≤ 1.5) synthesized by combustion reaction. Appl. Phys. A. (2009),94,131-137.
[7] Wang, J. Carbon-based Electrochemical Biosensors : A Review. (2005), 17 (1), 7-14.
[8] Herbst, M. H.; Macêdo, M. I. F.; Rocco, A. M. Tecnologia dos nanotubos de carbono: tendências e perspectivas de uma área multidisciplinar. Quím. Nova. (2004), 27, 986-992.
* Fonte da Imagem: http://depts.washington.edu